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  10.02.2010  

 Ministro da Agricultura do Haiti busca apoio para reconstruir o campo


Brasília, 10/2/10 (IICA) – O ministro da Agricultura do Haiti, Joanas Gué, iniciou, dia 8 de fevereiro, uma visita internacional, para reunir-se com representantes de governos e de organizações internacionais em busca de apoio para a reconstrução do setor agropecuário e rural de seu país.

O Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) apóiam o Ministério haitiano de Agricultura, Recursos Naturais e Desenvolvimento Rural na elaboração de um programa específico para enfrentar as consequências imediatas do terremoto de 12 de janeiro, melhorar a produção alimentar e integrar ao campo as populações deslocadas.

O Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), que está preparando o primeiro projeto de ajuda a uma das regiões mais pobres do Haiti, apóia o projeto.

O ministro da Agricultura da República Dominicana, Salvador Jiménez, e o Diretor Geral do IICA, Víctor Villalobos, acompanharão o ministro Gué em Washington e Roma. Em Otawa, diretores do IICA acompanharão o ministro.

A primeira etapa da visita aconteceu em Santo Domingo, República Dominicana, onde Jiménez e funcionários do IICA reuniram-se para acompanhar os projetos e documentos que serão apresentados em Washington, Roma e Canadá.

Hoje, o encontro com o Secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Tom Vilsack, para analisar os pedidos de apoio do ministro Gué e possibilidades de atenção do governo; e reunirão com representantes do Banco Mundial (BM), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BIS) e da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento (USAID, sigla em inglês) foi cancelado devido ao mau tempo.

Haiti, um país particular
A agricultura e o meio rural têm duas características que fazem do Haiti um país único, comentou Villalobos.

De acordo com análise do IICA, apesar de ser o país com maior proporção de população rural da América (55% de sua população vive no campo) e com solos degradados, os rendimentos de seus principais produtos agrícolas são os menores de toda a região e não cresceu desde inícios da década de 1980.

Enquanto, nos Estados Unidos ou Chile o rendimento de um hectare semeado de mandioca alcança mais de 10 toneladas por hectare, no Haiti este número não chega nem a 0,75 toneladas por hectare. (média entre 2003 -2007)
 
Segundo Villalobos, dado que a agricultura e o meio rural são setores altamente geradores de emprego e renda para os setores mais pobres, os investimentos para aumentar os rendimentos e melhorar as condições de vida dessa população farão com que dólar investido na agricultura e meio rural haitiano renda mais do que em qualquer outro setor daquele país.

Coincidindo vozes
Villalobos ressaltou que muitas vozes autorizadas pedem apoio ao desenvolvimento haitiano e fazem brotar um efeito multiplicador do investimento no agro.

Citou entre elas a Alain de Janvry, co-autor do Informe do Banco Mundial sobre o desenvolvimento mundial 2008: agricultura para o desenvolvimento. Janvry afirmou que, se se deseja reconstruir o Haiti, as agencias de desenvolvimento devem abandonar sua relutância de apoio à agricultura de subsistência e tratá-la como uma atividade produtiva de vital importância.

Robert Zoellick, Presidente do Banco Mundial, também declarou que para respaldar a transição entre ajuda alimentar e reconstrução, é importante promover uma agricultura de pequena escala que pode fornecer e substituir programas de assistência alimentar.

Há poucos dias, a analista internacional Andres Oppenheimer lembrou um comentário do chanceler da República Dominicana, Carlos Morales Troncoso, e recomendou a não cometer o mesmo erro na reconstrução do Haiti “de se concentrar demais em tijolos e muito pouco em árvores".

Mais informações: victor.delangel@iica.int; alfredo.mena@iica.int; patricia.leon@iica.int


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