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Segunda edição do Prêmio Mulheres Rurais – Espanha Reconhece está com inscrições abertas; iniciativas de todo Brasil podem concorrer a premiações que incluem valores financeiros, assistência técnica e mentorias

Prêmio reconhece protagonismo das mulheres nas transformações dos sistemas agroalimentares

Country of publication
Brasil

 

Segunda Edição - Prêmio Mulheres Rurais - Espanha Reconhece
Abertas as projetos de coletivos formados por mulheres rurais de todo Brasil

BRASÍLIA, 9 de março de 2023 – Estão abertas até o dia 31 de maio de 2023 as inscrições para a segunda edição do Prêmio Mulheres Rurais – Espanha Reconhece. A iniciativa, que reconhece projetos que fortalecem a autonomia  econômica de mulheres rurais, é organizada pelo escritório de Agricultura, Pesca e Alimentação da Embaixada da Espanha, e conta com o apoio das representações no Brasil do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e da ONU Mulheres. As inscrições podem ser feitas pelo site do Prêmio. 

As instituições organizadoras do concurso apostam na força das mulheres rurais para alcançar transformações necessárias dos sistemas agroalimentares. Por isso, o foco desta edição são iniciativas que reconheçam e fortaleçam o protagonismo feminino na agricultura e nos sistemas agroalimentares locais, na geração de renda, proteção do meio ambiente e mitigação das mudanças climáticas, além de reconhecer e valorizar o trabalho das mulheres  relacionado às tarefas de cuidado com a família e comunidade e no fomento à formação de novas lideranças femininas. 

Coletivos de mulheres rurais de todo o País são elegíveis para concorrer ao prêmio, que além de recursos financeiros oferece computadores, assistência técnica, cursos e mentorias a três projetos vencedores. As regras e informações completas estão descritas no edital.   

A primeira edição do Prêmio, lançada em 15 de outubro de 2021, Dia Internacional da Mulher Rural, recebeu 482 inscrições de grupos de agricultoras, pescadoras, indígenas, quilombolas e extrativistas de todos os estados brasileiros, principalmente do Nordeste.

Print de tela do lançamento virtual do Prêmio
Print de tela do lançamento do Prêmio - com representes dos organizadodores 

 “Nesta edição queremos reconhecer o importante papel das mulheres rurais como transformadoras dos sistemas agroalimentares para que sejam mais sustentáveis, já que elas diversificam o catálogo de produtos disponíveis para a alimentação humana e estimulam a territorialização dos processos de produção, buscando reduzir a importação de produtos similares e reconhecendo a importância da agrobiodiversidade nos territórios, a autonomia e a independência alimentar”, afirmou Mar Fernández-Palacios, embaixadora da Espanha no Brasil.    

De acordo com a FAO, as mulheres produzem cerca de metade dos alimentos no mundo e correspondem a 43% da mão de obra agrícola, mas continuam tendo seu papel e importância negligenciados e ainda estão fora dos principais espaços de tomada de decisão.  No geral, as mulheres no campo também têm mais dificuldade de acesso à terra, ao crédito e a cadeias de alto valor, essenciais para sua subsistência e para o bem-estar das comunidades.  

“As mulheres rurais são pilares fundamentais da produção agrícola e da segurança alimentar e nutricional. Precisamos seguir avançando rumo a igualdade de gênero por meio de programas inovadores, políticas e estratégias inclusivas, e a FAO acredita que este prêmio é uma iniciativa importante para que as mulheres rurais sejam mais valorizadas e por consequência também tenham mais acesso a recursos e oportunidades”, explicou Rafael Zavala, representante da FAO no Brasil. 

No Brasil, a agricultura familiar é responsável por 77% dos estabelecimentos agrícolas do país, empregando cerca de 10 milhões de pessoas, o que corresponde a 67% da força de trabalho ocupada em atividades agropecuárias, de acordo com dados divulgados pelo IBGE. Neste cenário, as mulheres, apesar de desempenharem um papel essencial desde o cultivo até a preparação do alimento dentro da agricultura familiar, têm seu trabalho muitas vezes visto como mera ajuda, como parte das tarefas domésticas e de cuidado. O resultado dessa invisibilidade é que elas correspondem a menos de 20% da força de trabalho da agricultura familiar, segundo os dados oficiais. 

“Diante de desafios como fome, violência, mudanças climáticas e aumento das desigualdades, é importante investir em políticas públicas e iniciativas empreendedoras, como os projetos inscritos neste concurso em que a  perspectiva de gênero é considerada. Como instituição ponte, o IICA trabalha para isso e este Prêmio contribui para valorizar a força e participação das mulheres do campo nos espaços de decisão”, disse Gabriel Delgado, coordenador da região Sul do IICA e representante no Brasil. 

Trabalhar pela igualdade entre mulheres e homens no campo, reconhecendo o papel delas como  agentes para o desenvolvimento sustentável, é fundamental para o alcance dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU e para um para um mundo com mais oportunidade a todas e todos.

“A desigualdade de gênero enraizada em sistemas patriarcais e normas sociais discriminatórias significam que as mulheres têm menos probabilidade de acessar serviços de extensão agrícola, mercados, terras e serviços financeiros formais, apesar de sua alta participação no setor agrícola. É por isso que, neste ano, o tema prioritário da convocatória é o papel das mulheres rurais como transformadoras dos sistemas agroalimentares, considerando iniciativas que reconheçam e fortaleçam seu protagonismo na agricultura e nos sistemas alimentares locais, na geração de renda, proteção do meio ambiente e mitigação das mudanças climáticas, além de reconhecer e valorizar o trabalho das mulheres no que tange as tarefas de cuidado com famílias e comunidade, e no fomento da formação de novas lideranças femininas”, ressalta a representante da ONU Mulheres Brasil, Anastasia Divinskaya.

Vencedoras da Primeira Edição

Coletivos de mulheres de Alagoas, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul foram os vencedores da primeira edição. O primeiro lugar ficou com o grupo Mulheres em Ação de Jequiá da Praia, em Alagoas, que articula um empreendimento sustentável voltado para a melhoria da qualidade de vida de pescadoras, marisqueiras e artesãs nas comunidades ribeirinhas.

“O trabalho que fazemos muda muito a nossa vida e a vida da comunidade. A gente tira o casco do siri da lagoa e traz para a associação para secagem e para transformar em adubo orgânico. A gente faz um trabalho de despoluição da praia, e isso é a maior felicidade da nossa vida, de ver o trabalho tão maravilhoso que a gente está fazendo. Depois do prêmio, cada dia a gente tem se fortalecido mais. Foi o pontapé inicial para fortalecer a mulherada da comunidade”, declarou a pescadora artesanal e presidenta do grupo, Eliane Farias. “O prêmio mudou muito as nossas vidas. As mulheres se animaram bastante, porque a gente não era conhecida, mas com o prêmio, a gente teve muita visibilidade, tanto no município quanto no estado. A gente comprou embarcação, motor, forrageira, freezer, balaio, bacias... isso animou muito a mulherada. Inclusive as mulheres que estavam tristes e longe da associação acabaram voltando.”

A Associação Comunitária dos Produtores Panelinhenses (ASCOPPA), de Miravania (MG), ficou com o segundo lugar pela contribuição para reduzir a insegurança alimentar de dezenas de famílias com práticas sustentáveis de reaproveitamento das sementes das frutas. A Associação das Mulheres da Terra (ASMUTER) – MT levou o terceiro lugar pelo trabalho de combate ao desperdício de alimentos durante a pandemia. 

Parcerias - O prêmio é uma realização do Escritório de Agricultura, Pesca e Alimentação da Embaixada da Espanha no Brasil, em parceria com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres).

Tem o apoio dos Ministérios do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar; das Mulheres; da Pesca e Aquicultura; da Integração e do Desenvolvimento Regional; da Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI); do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA); do Serviço Social do Comércio (SESC - Departamento Nacional); da Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural (ASBRAER), RURAL Commerce. 

“Assim como na primeira edição, participar de todo esse processo que valoriza a mulher do campo no Brasil é uma oportunidade para a OEI reafirmar o compromisso de fomentar a igualdade de gênero e a agricultura familiar”, declara Raphael Callou, diretor da OEI no Brasil.

Neste ano, o prêmio também conta com o patrocínio das empresas Agrícola Famosa, INDRA, ACCIONA, MAPFRE, JOSEP LLORENS, CMR fruits e ACESUR.

 

Serviço 

 

Contatos de Imprensa:

Embaixada da Espanha no Brasil

Gabriel Cardoso Aspin

emb.brasilia@maec.es – (61) 99141 1787

  

Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA)

Claudia Dianni

claudia.dianni@iica.int – (61) 99138 4898

 

Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO)

Aline Czezacki

Aline.Czezacki@fao.org - (61) 99251 9072

 

ONU Mulheres

Paola Bello

Paola.bello@unwomen.org - (61) 9665 5463